Esta cartilha foi elaborada para fornecer informações confiáveis e acessíveis sobre a psoríase. Ela não substitui a consulta médica regular.

A psoríase é uma doença inflamatória crônica, sistêmica, não contagiosa, que afeta principalmente a pele. É mediada pelo sistema imunológico, onde os linfócitos T atacam as células da pele, causando uma renovação celular acelerada.

Enquanto a pele normal se renova a cada 28-30 dias, na psoríase esse processo ocorre em apenas 3-4 dias, resultando no acúmulo de células na superfície da pele, que se manifestam como placas vermelhas e escamosas.

Pontos-chave:

  • Não é contagiosa — você não vai passar a doença para ninguém
  • É crônica — não tem cura, mas tem tratamento eficaz
  • É autoimune — o próprio sistema de defesa causa a inflamação
  • Pode afetar qualquer pessoa em qualquer idade

Psoríase em Placas (Vulgar): Tipo mais comum (80-90% dos casos). Lesões vermelhas, bem delimitadas, cobertas por escamas prateadas.

Psoríase Gutata: Pequenas lesões em forma de gotas. Mais comum em jovens, geralmente após infecções estreptocócicas.

Psoríase Inversa: Lesões lisas e vermelhas em áreas de dobras (axilas, virilha, sob as mamas).

Psoríase Pustulosa: Pústulas (bolhas com pus estéril) cercadas por pele avermelhada. Pode ser localizada ou generalizada.

Psoríase Eritrodérmica: Forma mais grave. Vermelhidão e descamação generalizada que pode cobrir todo o corpo.

Artrite Psoriásica: Inflamação das articulações que afeta até 30% dos pacientes. Requer tratamento específico.

Diversos fatores podem desencadear ou agravar a psoríase:

  • Estresse emocional: É o gatilho mais relatado pelos pacientes
  • Infecções: Infecções de garganta (estreptococos) podem desencadear psoríase gutata
  • Trauma na pele: Cortes, arranhões, queimaduras solares (Fenômeno de Koebner)
  • Medicamentos: Lítio, betabloqueadores, antimaláricos, anti-inflamatórios
  • Clima: Frio e ar seco tendem a piorar; clima quente e úmido pode melhorar
  • Tabagismo e álcool: Agravam a doença e reduzem a eficácia do tratamento
  • Obesidade: O excesso de peso está associado a formas mais graves

Tratamentos Tópicos (para pele):

  • Corticosteroides tópicos (pomadas e cremes)
  • Análogos de vitamina D (calcipotriol)
  • Retinoides tópicos (tazaroteno)
  • Alcatrão de hulha
  • Hidratantes e emolientes

Fototerapia:

  • UVB de banda estreita — mais utilizada
  • PUVA (psoraleno + UVA)
  • Laser excimer

Tratamentos Sistêmicos:

  • Metotrexato
  • Ciclosporina
  • Acitretina
  • Apremilaste

Medicamentos Biológicos:

  • Anti-TNF (adalimumabe, etanercepte, infliximabe)
  • Anti-IL-17 (secuquinumabe, ixequizumabe)
  • Anti-IL-23 (guselcumabe, risanquizumabe)
  • Anti-IL-12/23 (ustequinumabe)

Os portadores de psoríase possuem direitos garantidos por lei:

  • Atendimento pelo SUS: Incluindo consultas, exames e medicamentos
  • Medicamentos de alto custo: Biológicos são fornecidos pelo SUS mediante protocolo clínico
  • Fototerapia: Disponível em hospitais públicos de referência
  • Acompanhamento psicológico: Pelo SUS, nos CAPS e UBS
  • Isenção de impostos: Em casos graves que levem a aposentadoria por invalidez
  • Proteção contra discriminação: A Lei nº 9.029/95 proíbe práticas discriminatórias no trabalho

Se seus direitos forem negados, procure a Defensoria Pública, o Ministério Público ou entre em contato com a ABRAPSE para orientação.

A psoríase tem um impacto emocional significativo. Muitos pacientes relatam:

  • Vergonha e baixa autoestima
  • Ansiedade social e isolamento
  • Depressão
  • Dificuldades nos relacionamentos
  • Impacto na vida profissional

O que fazer:

  • Procure acompanhamento psicológico — não há vergonha nisso
  • Participe de grupos de apoio como a ABRAPSE
  • Converse abertamente com familiares e amigos
  • Pratique atividades que tragam prazer e relaxamento
  • Lembre-se: a psoríase não define quem você é

Procure atendimento médico imediato se você apresentar:

  • Vermelhidão e descamação generalizada por todo o corpo
  • Febre associada às lesões de pele
  • Pústulas (bolhas) generalizadas
  • Dor intensa nas articulações com inchaço
  • Sinais de infecção nas lesões (pus, calor excessivo, odor)
  • Efeitos colaterais graves de medicamentos

Em caso de emergência, dirija-se ao hospital mais próximo ou ligue para o SAMU: 192

Tem dúvidas?

Entre em contato com a ABRAPSE. Estamos aqui para ajudar você.

Fale Conosco